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Criança morre engasgada no Juruá e mãe culpa médico Imprimir E-mail

bebe_morre_engasgado_-_mae.jpgFrancisca Gracilene da Silva, 17 anos, residente no Seringal Escondido, inconformada com a morte de seu filho, Francisco Glailton Silva da Conceição, de 1 ano e 3 meses, por volta da meia-noite de domingo, no HRJ (Hospital Regional do Juruá), declarou na manhã dessa segunda que o óbito da criança ocorreu por culpa do médico oftalmologista Laurence Huamani Alvarez, de Cruzeiro do Sul. "Essa mulher não tem que ficar procurando culpados, foi uma fatalidade. Ela deveria ter cuidado melhor da criança, que não teria se engasgado", disse o médico.

 

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Laurence (foto ao lado) conta que apenas acompanhou o paciente no vôo da Aerobran, que decolou de Cruzeiro do Sul na noite de domingo rumo a Manaus. Com cerca de 12 minutos de vôo a aeronave soube que o aeroporto da capital amazonense estava fechado para pouso por causa do mal tempo, e retornou ao Aeroporto de Cruzeiro do Sul.

 

Sua versão foi confirmada pelo gerente da empresa Cleilson Taumaturgo de Abreu, para quem  "seria arriscado continuar o vôo, já que o avião, de pequeno porte, não tinha autonomia para seguir naquelas condições. A empresa fez o que pode", conclui.    

 

O drama de Francisca começou por volta das 7:00 de domingo, quando lavava roupa e percebeu que o filho estava engasgado, possivelmente com um caroço de ingá. "Meti o dedo na goela dele e senti uma coisa, agora não sei se era ingá, que minha filha estava comendo, ou algum talo de palha, porque minha casa é toda cercada de palha", contou. Depois de muitas tentativas para desengasgar a criança, a mãe a levou ao navio-hospital Doutor Montenegro, atracado nas margens do Rio Juruá. 

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O capitão de Corveta Gleiber Barbosa, do navio onde Francisco recebeu os primeiros atendimentos, explica que o menino foi enviado para o Hospital Regional, porque a equipe médica acreditou que lá haveria mais recursos para cuidar do caso. "O navio tem centro cirúrgico, mas com equipamentos básicos. Não podemos realizar cirurgias de grande porte. Foram feitos todos os procedimentos dentro dos recursos que temos. Então foi decidido que o melhor seria transferi-lo", esclareceu.

 

O HRJ, por sua vez, decidiu enviar a criança para Manaus, onde deveria chegar por volta das 02:00 da madrugada. Francisca afirma que o avião deixou a cidade por volta das 19:00, e relata que durante o vôo o médico aplicou uma injeção que teria deixado a criança mais debilitada. Laurence conta que aplicou aminofilina no paciente, um bronquiodilatador que, de acordo com a sua assistente Janequeli Coelho da Silva, "ajudou a melhorar a respiração do menino".    

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A mãe disse que ao chegar ao hospital do Juruá, não viu mais o bebê. "Quando foi meia-noite me falaram que ele tinha falecido, porque o pulmão dele tinha estourado. Quando vi meu filho de novo, ele já estava todo enrolado", lembrou aos prantos.

 

 "A lama é na coxa da gente, a água é pela cintura. Hoje saímos de casa com muita dificuldade, para quando chegar ao hospital fazerem uma coisa dessas", diz  Antonia Oliveira dos Santos (acima, de blusa vermelha), 28 anos, vizinha de Francisca, que acompanhou a amiga.

 

Dílson Ornelas e Gleiciane Cunha, www.vozdoacre.com

 

 
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