Até meados de março o aeroporto de Rio Branco
deverá ter operações de alfandegamento precário e ganhará status internacional.
O Aeroporto de Cruzeiro do Sul, ao contrário do que é divulgado, nunca perdeu o
status de internacional, mas tem problemas estruturais para a realização de
operações de importação e exportação, mesma deficiência de Rio Branco.
Como superar estes problemas foi o tema de mais
de três horas de reunião na tarde desta quarta-feira, 3, no Estádio Arena da
Floresta, onde funciona a sede da Secretaria Estadual de Esportes e Turismo. Ao
final da reunião, foi firmada uma agenda de compromissos que prevê nova reunião
em Brasília e a realização de dois voos semanais de Rio Branco a Cuzco
para passageiros e, pelo menos, três voos mensais de carga entre Cruzeiro do
Sul e Pucallpa, capital da região de Ucayali.
Para fechar a agenda em relação a Cruzeiro
do Sul, porém, houve um longo debate por conta das exigências da Receita
Federal para a realização do alfandegamento precário até que a Infraero (Empresa
Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) adeque as instalações do aeroporto.
A Receita exige dependências exclusivas para desembarque internacional, câmeras
de vigilância, esteiras, galpões, câmaras de refrigeração e funcionários
residentes no local.
O debate teve como protagonistas, de um lado, o
presidente da Aleac, Edvaldo Magalhães, o secretário Cassiano Marques, de
Esportes e Turismo, o secretário de Ciência e Tecnologia, César Dotto, o
assessor político Jair Santos e o empresário George Pinheiro, presidente
da Federação das Associações Comerciais do Acre. Do outro lado, o
superintendente adjunto da Receita Federal, Eduardo Badaró, que veio de Belém e
os auditores Jerry George Silva e Sérgio Amaral, da Delegacia de Rio
Branco. O diplomata Carlos Fonseca, chefe da Divisão da América Meridional III,
que coordenava a reunião, funcionou como mediador da discussão.
Edvaldo ressaltou que o Acre é o personagem mais
interessado e com participação mais intensa neste processo desde o encontro dos
presidentes Lula e Alejandro Toledo na inauguração da ponte ligando Assis
Brasil a Iñapari em janeiro de 2006. "No ano passado realizamos três
encontros focando principalmente a integração do Vale do Juruá com a região de
Ucayali, participamos da III Semana da Amazônia em Cuzco e realizamos a
primeira operação de importação onde contamos com a participação
ativa de todos os órgãos federais que se deslocaram de suas sedes, o que não é
pouco", explicou Edvaldo.
Badaró, por sua vez, lembrou das dificuldades
para deslocar um agente da capital para Cruzeiro do Sul e da precariedade das
condições de fiscalização, mas deixou claro que tudo pode ser superado. Edvaldo
garantiu empenho de toda a bancada federal e dos senadores para que a
Secretaria da Receita Federal do Brasil crie cargos para auditores
lotados em Cruzeiro do Sul, além da realização de todas as obras exigidas.
Todos os demais representantes de órgãos federais
responsáveis pelo trânsito internacional de cargas e passageiros declararam
disposição para colaborar. Hélio Costa, da Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária), decidiu em segundos: "A Anvisa já está instalada em
Cruzeiro do Sul". A Vigiagro, órgão de vigilância de sanidade
agropecuária do Ministério da Agricultura, representada por Denis Santos,
também se comprometeu a enviar um funcionário sempre que solicitada com
antecedência. O delegado da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, Flavio de
Avelar, lembrou que a cidade já tem os agentes necessários.
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) enviou
três representantes, entre eles o de Facilitação, Adival Magri Jr.
"Basta uma solicitação da Infraero, acompanhada por pareceres de
todos os órgãos, mesmo que com ressalvas que a Anac autoriza
os voos", explicou Adival, detalhando os procedimentos legais.
A Infraero, também com três representantes,
liderados pelo presidente adjunto, Eduardo Pires Ferreira, assumiu o
compromisso de realizar todas as obras necessárias para o credenciamento dos
aeroportos de Cruzeiro do Sul e Rio Branco para operar com voos internacionais
e abrigar os demais órgãos de fiscalização.
O presidente da Aleac, Edvaldo Magalhães, que
está à frente deste processo, se declarou um entusiasta da integração e
acredita que um grande passo foi dado. Lembrando que já participou de diversas
reuniões, incluindo duas presidenciais, pela primeira vez, no ano passado, viu
a concretização de um negócio entre os dois países.
"O presidente Lula falou, no encontro com
Garcia, que os peruanos compram tudo do Brasil e nós não compramos nada deles.
Hoje o Acre está disposto a comprar seus hortifrutis e suas pedras, mas a
dificuldade é imensa", afirmou. Edvaldo fez um apelo para que a Receita
Federal acelere os procedimentos para que a importação de alimentos possa ser
realizada ainda em fevereiro quando o Juruá está isolado do resto do país e com
o custo dos legumes altamente inflacionados.
Reuniões correm contra o tempo
O diplomata Carlos da Fonseca, chefe da Divisão
da América Meridional III, do Ministério das Relações Exteriores, é o principal
elo do processo de integração do Acre com o Peru. No encontro entre os
presidentes Lula e Alan Garcia, em Lima, dia 11 de dezembro passado,
acompanhado por uma caravana liderada pela Aleac, foi dado um prazo de 120 dias
para que uma comissão brasileira apresente um plano a ser executado pelos dois
países. "Este prazo vence dia 11 de abril, portanto, temos que apresentar
resultados", alertou.
De acordo com o diplomata, Lula e Alan Garcia
devem se reencontrar, provavelmente, em 15 de abril próximo em uma feira internacional
em Porto Alegre.
"Esta será a melhor oportunidade para a gente chegar e apresentar o plano
e já começar a realizar convênios", explicou.
Para o secretário Cassiano Marques, nada pode ser
mais expressivo a ser apresentado aos presidentes neste encontro do que a
concretização da primeira viagem aérea entre Rio Branco e Cuzco. Cassiano
lembrou que a empresa Star Peru já está preparada para esta rota e depende
apenas da liberação do aeroporto de Rio Branco, o que foi definido na reunião
desta quarta-feira.
Mas, o que ainda pode influir no resultado da
rota Rio Branco-Cuzco é o valor da tarifa. O empresário George Pinheiro, que
representa a Star Peru no Acre, informou que o custo das passagens deverá
equivaler ao valor de uma viagem de carro.
O secretário de Ciência e Tecnologia, Cesar
Dotto, informou que a viabilização deste e outros voos internacionais a partir
de Rio Branco deverão contar com incentivo do governo do Estado, ainda em fase
de estudos. De acordo com ele, o governador Binho Marques já manifestou
disposição de conceder descontos e até isentar a empresa do ICMS. Cassiano
lembrou que ainda existem outras alternativas, como a compra de assentos. Outro
ponto a ser discutido é a redução da tarifa de embarque que, em passagem
curtas, como até Cuzco, pode representar metade do preço da passagem.
João Maurício
Agência Aleac
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