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Dona de casa, Maria Cirlene de Oliveira França, de 28 anos, casada, foi morta na madrugada desse sábado com 12 facadas no coração e no abdômen. Os golpes foram desferidos por Isaqueu Barbosa Monteiro, 18 anos, vulgo Preto da Gema, para desespero de dois filhos menores, de 11 e 12 anos, que ouviam os gritos agonizantes da mãe, durante o estupro macabro.
Algumas horas antes de morrer no Ramal Onze, em Santa Luzia, zona rural de Cruzeiro do Sul (AC), Maria Cirlene deixou três filhos menores em companhia do marido, Manoel de Oliveira França e foi com os outros dois dormir na casa da professora Maria Alcione. Fazia um favor para a amiga, que temia que sua casa fosse furtada enquanto passava a noite com o marido na área urbana do município, em casa de parentes.
Isaqueu, que morava na Lagoinha e passava o final de semana na casa de uma irmã nas proximidades do local do crime, soube que Maria Alcione não dormiria em casa e por volta da meia-noite arrombou a janela da sua residência e entrou. Pareceu surpreso ao encontrar Maria Cirlene lá dentro, dormindo com os dois filhos.
"Preto, é você?", reconheceu a mulher, segundo depoimento da sua filha E.O.F, de 12 anos. "Por favor, não faça nenhum mal a mim e nem aos meus filhos", suplicou. Para pressionar Maria Cirlene, o criminoso suspendeu pelo pescoço a menina, e mantendo-a contra a parede, enfiou a faca profundamente em seu ombro, perto do pescoço.
Temendo o pior, a mãe foi com Isaqueu para um quarto ao lado, onde foi despida e possuída. "Pelo amor de Deus, não faça isso comigo. Eu não quero, por favor, eu não quero", teria implorado, de acordo com a filha, que ouvia tudo enquanto tentava deixar a casa para avisar o pai. Por fim, a menina encontrou um pedaço de lenha na cozinha e acertou com força as costas do homem. No descuido a mulher ainda conseguiu golpear o agressor com uma facaca no peito e no braço direito, mas ele era bem mais forte que ela...
E.O.F. (foto) e o irmão de 11 anos conseguiram abrir a porta e correr para o quintal, no momento em que ainda ouviram a mãe implorando: "Não me mate, Preto não me mate. Eu ainda tenho cinco filhos pequenos para criar, não me mate". Em seguida, enquanto desapareciam na escuridão da noite, as crianças ouviram os últimos gritos da mãe.
O garoto correu em casa para chamar o pai, Manoel, e a menina foi pedir socorro à vizinha Maria da Glória (foto abaixo), de 34 anos, que levou cerca de 5 minutos para chegar à cena do crime. "Quando cheguei o marido dela já estava lá, vestindo a sua roupa. Na hora que estava morrendo ela disse que não estava conseguindo enxergar mais nada. Perguntei quem tinha feito aquilo. Cirlene respondeu que tinha sido o Preto".
Isaqueu, o Preto da Gema, fugiu rapidamente do local, mas logo pela manhã uma guarnição da Polícia Militar o encontrou escondido na casa da irmã. De acordo com os policiais, os moradores chegaram a pedir que a PM entregasse o criminoso à comunidade, para que vingassem com as próprias mãos a vida de Maria Cirlene.
Durante depoimento ao delegado José Barbosa e à escrivã Socorro, na Delegacia da Mulher de Cruzeiro do Sul, Isaqueu negou que tivesse estuprado a mulher e disse que, sob o efeito de álcool, não se deu conta que estivesse tirando a sua vida. A filha de Maria Cirlene, contudo, garante que ele estuprou mesmo a sua mãe. A polícia, porém, aguarda o resultado do exame de conjunção carnal, para verificação da presença (ou não) de esperma no corpo da vítima.
Preto da Gema, marginal conhecido na região, mesmo sem passagem anterior pela polícia confessou vários furtos à residências e pelo menos uma perfuração de faca em um desafeto do local. Após o depoimento foi enviado para o Presídio.
Dílson Ornelas - http://www.vozdoacre.com/
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